quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Ensino superior no Canadá

E aê galera!!! Tudo tranquilo?

Hoje eu vou falar sobre o ensino superior no Canadá. O país, de fato, possui uma grande variedade de Universidades e escolas superiores (University College) espalhadas por todas as províncias. As universidades são internacionalmente reconhecidas pela qualidade de ensino e pesquisa e os diplomas são equivalentes aos das universidades americanas. Elas são amplamentes financiadas com recursos públicos e, por consequência, são de qualidade elevada independentemente da localização ou área de estudo. Além disso, todas detêm um elevado grau de autonomia acadêmica. Porém, apesar de serem consideradas públicas, os alunos pagam para estudar nas universidades aqui (varia de CAD$5.000 a CAD$15.000 anuais para estudantes canadenses, a depender do programa. Cursos profissionais como medicina, odontologia, direito e MBAs custam geralmente mais. Mestrados e doutorados também são um pouco mais caros. Estudantes internacionais escolhem entre dar uma facada ou um tiro na cabeça, pagando o dobro disso). Clique aqui para ver a média do valor gasto anual com "mensalidade" num programa de graduação e aqui para ver esse gasto separado por curso.

O Canadá não possui um órgão governamental central encarregado de monitorar ou ditar as regras e padrões quanto à educação no país. Ao invés disso, a educação é responsabilidade das províncias e territórios canadenses. Aqui, após concluir o ensino secundário (secondary school), o sujeito pode buscar um diploma ou certificado obtidos, em regra, nos cursos oferecidos por Colleges ou ir atrás de um Bachelor's Degree em uma universidade. Também há a possibilidade de se fazer um Apprenticeship (algo como um profissionalizante ou curso técnico). A duração dos estudos varia de 1 a 4 anos a depender de qual deles você escolher.

No Canadá, curso superior é dividido em Undergraduate (graduação) e Graduate (pós-graduação). Estudos de graduação podem conferir ao candidato o título de Associate degree em dois anos e Bachalor's degree em quatro. Estudos de pós-graduação são os mestrados (Masters) e doutorados (doctorate ou Ph.D). Algumas instituições educacionais já oferecem programas de pós-doutorado. Mestrados subdividem-se em M.A. (Master of Arts) para estudos na área das ciências humanas e M.Sc (Master of Science) na área das ciências naturais e exatas, sendo oferecido num grande número de áreas de estudo. 

Visão geral do ensino no Canadá
É comum se fazer um mestrado numa universidade e um doutorado em outra, ou um mestrado com ênfase numa área e um doutorado noutra, como forma de enriquecer a formação acadêmica. Isso pode aumentar um pouco o número de créditos e o tempo necessário para conclusão dos cursos, mas nào deixa de representar uma foração acadêmica mais ampla. O tempo de um programa de mestrado é normalmente de 3 a 4 semestres e um doutorado, 4 semestres adicionais. Para fazer uma comparação entre os sistemas educacionais do Brasil com o americano (e também canadense) e o inglês, clique aqui.

Grande abraço!!!



Complemento...

Num desses raros momentos de pausa forçada e voluntária dos estudos (para não mencionar as inúmeras pausas inconscientes e conscientes típicas daqueles também inúmeros dias de falta de foco), resolvi acessar minha caixa de spam, à procura de um artigo que eu deveria ter recebido há uma semana. Heis que vejo um e-mail de uma pessoa querida, erradamente enclausurado nos confins daquele espaço, ainda menos visitado que arquibancada de jogo de Ice Hockey em Salvador (afinal, quem checa caixa de spam?...). Em meio a "Novas rotas da Azul", "Convite Badoo", "Britney Spears naked" e "Promoção imperdível", encontro as confortantes palavras de tia Consuelo sobre a experiência de morar e estudar fora, que gostaria de compartilhar com vocês:


  • É um amadurecimento precoce;
  • Um conhecimento sócio-cultural ímpar;
  • Sedimentação dia a dia para com os nossos laços familiares e valores;
  • Um carinho diferenciado pelo nosso país, mesmo com todos os problemas aqui existentes;
  • É a saudade de TUDO, mas é também um caminho para um diferencial na vida profissional, ainda que árduo;
  • É uma experiência pessoal para sentirmos especial diante deste universo pela oportunidade de viver tudo isso;
  • As amizades se fortalecem porque os amigos sabem que somos alimentados diariamente por notícias e atos de coragem.

Só tenho que concordar com tudo, ainda mais vindo de uma pessoa querida que já morou em lugares tão diferentes como Japão e Síria. Grande beijo tia.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Ausência

Meus amigos, peço desculpas pelos meses (sim, foram meses) sem uma única palavra escrita aqui. Mas saibam que a aflição e o desapontamento em não escrever foram muito maiores em mim. Tanta coisa aconteceu nesse tempo... de Setembro até hoje acredito ter passado por tantos altos e baixos que fariam inveja a qualquer montanha-russa de renome. Apesar de me achar um sujeito flexível, com facilidade de adaptação, comunicativo e empático (ou seja, o fodão), de repente me vi enterrado numa crise de choque cultural.

Agora vocês me perguntam, "como assim David, você já morou fora, vivia cercado de gringo no Brasil, trabalhou na AIESEC e agora vem me falar de choquinho cultural? Choquinho cultural é o caraaaalho! Tu não é caveira, pede pra sair filho da p_#& (pow).. pede pra sair (paf)..." Pois é galera, acontece nas melhores famílias e ainda poderei passar outras vezes por isso. Cada lugar é um lugar, cada experiência é única e cada pessoa reage diferente a determinadas situações.

Mas o que é esse tal choque cultural? (Senta que lá vem a sessão AIESECa) Para os não tão chegados no assunto, choque cultural pode ser entendido como a consequência do esforço e da ansiedade resultante do contato com uma nova cultura, além do sentimento de perda, confusão e impotência resultante da perda das informações culturais e regras sociais previamente acostumadas. (Hein? Cuma? ) Em outras palavras, é a resposta de seu corpo e sua mente a uma série de situações que qualquer cidadão pode vivenciar morando fora de seu país. Quer que eu desenhe? Vamos lá:

Estágios do choque cultural

1. Quando você, apesar de dominar um determinado assunto, não tem o domínio suficiente da língua para dar uma resposta à altura e não ficar parecendo uma criança ou um bundão tentando falar... além de levar o dobro do tempo para expressar algo que poderia fazer perfeitamente bem em sua própria língua.

2. Quando você se esforça para entender e acompanhar uma conversa entre o grupo num barzinho barulhento. E quando consegue não tem tanto assunto para falar, já que os temas são, em boa parte, diferentes dos que você está acostumado.

3. Quando você está crente que sabe uma palavra, mas tem que repetí-la mais de quatro vezes, além de se esmerar em explicá-la, até ouvir a outra pessoa falar exatamente aquilo que você estava falando (mas não foi isso que eu falei, porra?).

4. Quando você pensa em fazer uma piadinha, mas desiste ao perceber o tempo que você vai levar até achar as palavras certas... e quando as acha, já passou o tempo e o que você falar não fará mais o menor sentido.

5. Quando você ainda não sabe aonde ir para comprar o que quer, quais ônibus pegar, onde descer, como funciona o sistema médico, como proceder em determinadas situações, etc

6. Quando você se estressa para conseguir que alguém corte seu cabelo minimamente razoável.. e se dá conta de que ninguem aparentemente sabe cortar cabelo cacheado.

7. Quando você percebe que os valores e experiências que moldaram sua vida e dão base à sua percepção de mundo são diferentes das demais pessoas. Dessa forma, o que é engraçado, bonito, prazeroso, interessante (etc) pra você, muitas fezes não faz o menor sentido pros outros.

8. Quando 1,78 metros vira 5 pés e 10 polegadas, 75 kg. vira 165 libras, uma taça de vinho se tranforma em 8 ounces of wine e quando no aquecimento você tem que saltar a cada 20 jardas ao invés de 18 metros.

9. Quando tudo do seu país parece ser tão exótico ou perigoso, ou estranho aos olhos das pessoas. Será que é tão difícil entender que um brasileiro de olho puxado é apenas mais um de tantos brasileiros de olhos puxados e não um japonês, ou chinês, ou coreano? Por que um brasileiro branco não tem cara de brasileiro?

10. Quando o sol parece nascer às 9 horas e se pôr às 15, apesar de você muitas vezes não o ver por conta do tempo frio e fechado. (Acreditem, 4 horas de sol a menos faz TODA a diferença)

Enfim, há uma série de situações e poderíamos ficar o dia todo falando disso. O fato é que o estress causado por essas situações novas e diferentes,  a fatiga cognitiva, consequência de uma sobrecarga de informação, o choque de papéis e o próprio choque pessoal levam a um processo de choque cultural que vai lentamente afetando nossas vidas sem que nos demos conta. De repente já estamos cansados, tristes ou deprimidos e sem o menor controle de nossas vidas.

A adaptação à nova cultura requer um esforço consciente para entender as coisas que normalmente são processadas inconscientemente em nossa própria cultura. As mudanças de papéis sociais e das relações interpessoais também afetam o nosso bem-estar e o sentido de auto-conhecimento. Por fim, a perda de intimidade pessoal e a perda de contatos com pessoas significativas dão o toque final a esse embaralho cultural. Nossa auto-estima, identidade, sentimentos de bem-estar e a satisfação com a vida são todos criados e mantidos dentro do sistema cultural.

Pois bem pessoal, choque cultural não é o fim do mundo, mas requer certo esforço para superá-lo. No meu caso tive o suporte de meu irmão e amigos, além traçar um "plano de combate" para reverter a situação. Boa parte da minha angústia se dava pela minha dificuldade em encontrar tempo para dar conta das demandas do mestrado e da minha vida pessoal por estar me sentindo ainda perdido na minha nova vida. Por conta disso tracei uma agenda diária definindo hora a hora cada coisa que tinha que fazer, com base naquilo que fosse mais prioritário. À medida em que ia tomando conta da situação, ia me sentindo mais confortável para lidar com as outras barreiras. Acredito que o tempo é também um excelente aliado. Muitas vezes só precisamos ter paciência e entender o que nos está acontecendo. Aos poucos vamos nos adaptando e começando a nos sentir parte do mundo novamente.

Bom, desculpa o texto longo. Acho que depois de tantos meses precisava cuspir algumas palavras a mais. Não prometo frequência, mas espero poder escrever sempre aqui. Me faz bem e é uma excelente forma de refletir sobre a vida. Obrigado pelas visitas e pelos comentários.

Forte abraço a todos!!!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Brazilian Day

Brazilian Day - Toronto
Fala meu Povo!!!
Aproveitando o embalo do post anterior, vamos a minha primeira experiência "regguística" (reggae, rock, festa, balada ou como você prefere chamar na sua região) em solo canadense: o BRAZILIAN DAY!!!

Após três dias de relativa exclusão social no Cottage e intenso contato com a natureza em sua forma mais bruta (lembram do bucólico banheirinho externo?), partimos em direção a "capitá" da província de Ontario em busca de formas mais avançadas de civilização. Acaso ou destino, demos de cara com o Brazilian Day em Toronto (faz de conta que nada foi planejado, hehe).

Indiferentes ao esforço do GPS em nos levar pra qualquer outro lugar que não fosse o destino solicitado, finalmente chegamos na esquina da Dundas com a Younge, onde um palco relativamente modesto aguardava as principais atrações do dia, entre elas, Ivete Sangalo. Antes da festinha começar, um rápido passeio pelo local pra matar a vontade do meu irmão de comer uma coxinha ou um pastel nas barraquinhas (legalizadas) dos brasileiros lá. Entre pasteis de $4.00 dólares e latinhas de guaraná de $5.00 paramos um pouquinho pra posar pra fotos com a galera (o assédio tricolor foi grande.. me surpreendeu).


Começa a festa, parte patrocinada pela Rede Globo (e tome propaganda da Globo internacional com seu carro chefe "India: a love story" ou Caminho das índias pros mais chegados) e aos poucos mais e mais gente vai se acumulando no centro de Toronto a fim de conhecer a "Madonna brasileira", como diziam alguns. A maioria, contudo, brasileiros de todos os cantos, ansiosos por qualquer contato com a terrinha, carregando suas bandeiras e buscando matar a saudade de uma vida que muitos deixaram pra trás. Nessas horas fico pesando, seria possível conciliar o melhor de cada lugar (segurança, respeito e desenvolvimento do lado canadense e calor, relacionamento e alegria do lado brasileiro) ou será essa uma viagem utópica de minha cabeça?

À primeira vista até que poderíamos estar em uma cidade brasileira, porém com um pouquinho mais de observação é possível notar as diferenças. Bebida alcoólica na rua, nem pensar. Talvez em um "pub" fechado ou na área VIP montada (a um custo de $135.00 para poder ficar lá). Mas para todos os outros mortais, aguinha da bica ou qualquer outra bebida dos MC's, Tim Hortons e afins. Churrasquinho de gato, queijinho, acarajé (tá bom, apelei), no way. No máximo na área restrita às poucas barraquinhas credenciadas e ainda assim com um cardápio bastante reduzido. Música mesmo, só quando o show começou, mas ainda assim num volume tão "educado" quanto os próprios canadenses. Mas foi nesse som mesmo que pulamos e cantamos ao som de axés das antigas (como o "tic bom" do falecido Bom Balanço), sambas cariocas entre outros hits de carnavais da época em que lança perfume e serpentina vinham no mesmo kit.


Enfim, o show de Ivete deu uma levantada na galera e realmente fez neguinho pular. Apesar da garganta inflamada e doendo muito (culpa da "experiência ", já que em nome dela eu pulei dois dias naquele lago gelado) me diverti como nos bons tempos de Rotaract, quando a gente pagava os maiores micos, mas curtia muito. Engraçado mesmo foi ver os gringos sem entenderem nada, vendo aquele povo pulando e dançando de forma estranha e mostrando o que realmente é animação. Brasileiros quando se encontram lá fora (quer dizer, aqui fora.. ah, vocês entenderam) parecem melhores amigos que não se vêm a tempos. Batem altos papos, brincam numa intimidade tão peculiar que no fundo todo mundo vira baiano, rs. E por falar em baiano, a nação tricolor fez bonito por lá. No mar verde e amarelo, qualquer sujeito tricolor não parava despercebido e ainda virada ponto de referência. Seria um exagero dizer que me senti na Fonte, mas não faltou oportunidade pra abrir a boca e gritar "BBMP"!!!

Multidão na Dundas Square
Ivete e sua banda
Bora Bahêa "Rumo a Dubai"
Eu, Marcele e Danilo
Galerinha de London e Toronto

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A casa do lago

E aê pessoal, tudo tranquilo? Praticamente perambulando pelo mundo dos mortos (em outras palavras, sem aparecer por aqui), eis que retorna ao blog um ser mentalmente e fisicamente cansado, mas louco para escrever mais e mais sobre sua experiência: EU! Não entrando no mérito desse desgaste (pelo menos não por agora), vamos ao que interessa.

Após três dias de minha chegada no Canadá, parti com Danilo e toda a família de Heather (minha cunhada) para a casa do lago, normalmente chamada de "Cottage" pelos canadenses Anglofônicos. Uma viagem que duraria ao menos 8 horas pelas curvas e buracos das BRs do nosso Brasil, foi feita em 5 horas pelas bem cuidadas "highways" de três a cinco faixas daqui. Uma maravilha, sem contar com a sinalização presente em cada canto. É possível manter por longos períodos uma média de 120 km por hora. É um imenso retão que corta o país de leste a oeste e faz inveja a qualquer estradinha baiana.


Chegando lá, o já esperado: uma casinha de madeira de três quartos, um banheiro para o "número 1", uma linda vista para o lago e muitas árvores por todos os lados. Todo material sólido emitido pelo ser humano (se é que vocês me entendem) deveria ser feito num banheirinho externo de madeira. Banheirinho é bondade minha, convenhamos. A parada nada mais é que um buracão no chão, cercado de madeira, onde o povo vai pra cagar à temperatura ambiente e acompanhado dos insetos (pronto, falei!). Pra aqueles que têm intestino preso, esse "luxo" até que passa despercebido. Já para outros, como o meu irmão (hehe), aquela singela e bucólica casinha representa muito, apesar do pouco tempo que passamos lá (e acreditem, vocês não vão querer passar muito tempo lá).

O Cottage
Chega desse assunto! Vamos ao que realmente importa. O lugar é realmente bonito, apesar dos 110 degraus que temos que descer para chegarmos ao lago e da temperatura, que cai bruscamente pela noite. Chegamos com cerca de 18 graus lá e acordamos com 8 para um não tão convidativo mergulho no lago. Se é tradição local, exibicionismo ou realmente muita vontade de nadar, eu não sei. O fato é que fomos intimados a pular. Pela experiência (olha a bendita novamente) e para tomar banho mesmo, pulei. Esqueci de comentar um detalhe. Se você é um desses brasileiros fresquinhos que não aguentam ficar três dias sem tomar banho (hein?), o lago é a sua única opção. Acho que terei que abrir mais a minha mente no inverno, caso eles resolvam dar uma nova passadinha por lá.

Vista da casa
No geral, a experiência do Cottage foi muito interessante. A ideia de ficar numa casinha de madeira sem muitos recursos, sem internet ou TV, cercado por lagos e florestas, num cenário perfeito para um filme de terror ao melhor estilo "O Albergue", trás à tona o nosso lado aventureiro e nos força a buscar entretenimento nas mais adversas situações. O frio que fez e a chuva que teimava em cair, por exemplo, não foram empecilhos para passearmos de lancha, andarmos de pedalinho ( 1km/hr, apesar do esforço absurdo que tive que fazer) ou remar numa autêntica canoa canadense. Até mesmo o mergulho no lago, às 8:00 da manhã, foi extremamente válido. Após cinco minutos de agonia e sofrimento, a água até que fica quentinha, em comparação à temperatura do ar, claro. Você não sabe o que é pior, ficar ou sair da água, hehe.

Como lembrança ficam as muitas risadas dos jogos de carta, de mímicas (pra quem presenciou, o "thanksgiving" foi fantástico). Ficam também as conversas regadas a Caesar (uma bebida canadense, pelo que me falaram, que leva tomate, caldo de marisco, picles, tempero e alcool), rum e cerveja, além dos diversos petiscos, "barbacue" canadense (me recuso a chamar isso de churrasco) e tantas outras coisas que a gente comeu durante todo o dia, praticamente nos forçando a conhecer o banheirinho externo.

Pôr do sol em Port Hope
Por fim, uma passada rápida em Port Hope, a caminho de Toronto, para participar do Brazilian Day, ao som de Veveta Sangalo. Pra que melhor?!!! Curtam as fotos e aguardem por mais novidades.. tem muitas, só me falta o tempo pra escrever. Grande abraço  a todos e tenham paciência porque o bicho aqui está pegando pro meu lado ;) 


Total tranquilidade ao entrar no lago...
Outras residências no Cottage
Cogumelos na floresta
Gabi e Andrew com seus "Ugly Sticks".

Alex, Gabi e Dan
Comprando Maple Syrup

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

TENSO - Parte 2

Fala galerinha!!!!

Finalmente consegui achar um tempo para escrever novamente. Acho que vou ter que aprender a lidar com isso daqui pra frente, caso queira mesmo manter esse blog atualizado e vocês informados sobre os últimos acontecimentos da Toca. O fato é que estou no meu terceiro dia no Canadá, mas realmente preciso compartilhar um episódio anterior à minha chegada. Ainda no clima de tensão, vamos a ele.

Após a conversa com a amável oficial do Consulado Canadense (um beijo especialmente para você, "minha senhora"), recebi um número de processo para poder proceder com os exames médicos necessários para a obtenção de um visto para um período superior a 6 meses. Já no dia seguinte liguei para o único médico credenciado em Salvador para poder marcar uma consulta. A previsão inicial era de conseguir um horário em sete dias (lembrando que, nesse momento, eu só tinha mais duas semanas até o dia pretendido de minha viagem, 27 de Agosto, com o visto e passaporte em mãos). Tive que abrir a minha vida e meu coração para a secretária do doutor, além de mostrar todo o meu desespero e aflição, para poder marcar para o mesmo dia a consulta.

Mesmo após eu ter me antecipado ao consulado e ter feito um check-up geral com TODOS os exames importantes numa situação dessas, tive que ouvir do médico que nenhum desses exames seria válido, a não ser os que eu faria na própria clínica credenciada. Não preciso dizer que tais exames custaram mais de 100% do valor dos que eu já tinha feito, fora os R$200 da consulta. Ah, acontece, galera.

Assim, quase uma semana depois, retornei à clínica para pegar a minha cópia dos resultados e pagar (Yes, baby) o envio dos resultados para as autoridades de imigração Canadense, em Trinidad e Tobago (É, também me perguntei o mesmo que vocês..). Nessa bricadeirinha, mais R$180 para que os exames chegassem em até 3 dias em Porto Espanha. Daí então, eles teriam mais 48 horas para mandar um aval para o Consulado em São Paulo e este mais alguns dias para emitirem o meu visto e devolverem o meu passaporte. Ufa!

Bueno, não foram três dias, mas quatro até eu receber a confirmação da chegada dos danados dos exames na ilha Caribenha e mais três até eu receber a ligação da agência de turismo, que me auxiliou nesse processo, dizendo que o visto finalmente tinha saído.. e em tempo recorde. Já era sexta-feira, dia 27 de Agosto e eu só havia conseguido marcar o vôo para o Domingo, dia 29. O horário do Sedex 10 já havia vencido e o despachante da agência ainda tinha que me enviar o passaporte com o visto. A alternativa escolhida foi mandar tudo através da TAM Express. O pacote chegaria em Salvador no Sábado, às 16:00 hrs.

Feliz da vida, cheguei no dia seguinte no Terminal de Cargas da TAM para buscar a tão esperada encomenda, até ser surpreendido pela atendente (muito educada e solícita, por sinal), dizendo que não havia nem sinal de envio de tal documentação. Han??? Como assim, mamãe? Começa aqui o momento "Se vira nos 30, mané".

Resumindo a obra de arte, após 4 horas de espera e com a importantíssima ajuda do amigo Mateus, que ligou para o SAC da TAM, descobri que nenhum passaporte pode ser enviado dessa forma. Assim, o documento ficaria retido em São Paulo até segunda-feira, quando seria então devolvido para o remetente, no caso, o despachante. Ninguém, além do próprio remetente ou o destinatário, poderia retirá-lo de lá. A minha primeira reação? Dizer num alto e bom tom a mais relaxante e sábia expressão de desespero: F U D E U!!!!!

Como nem a empresa despachante (por falta de recurso humano), nem outra pessoa poderia fazer isso pra mim, sobrou pra mim mesmo a agradável tarefa de organizar a busca do passaporte a tempo de embarcar para Toronto. Então, no dia 29 de Agosto de 2010, sai às 11:40 hr. de Salvador com destino ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, guardei minhas malas no guarda-volumes do aeroporto às 14:30 hr., peguei o ônibus da TAM às 15:30 hr. em direção ao Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, de lá peguei um taxi às 16:30 hr. para o Terminal de cargas da TAM, onde resgatei o meu Passaporte com o maravilhoso visto de 2 anos e 4 meses (respira, respira, respira), peguei então um outro taxi às 16:50 hr. voltando ao Aeroporto de Congonhas, chegando a tempo de pegar às 17:00 hr. o mesmo ônibus da TAM com direção ao aeroporto de Guarulhos, no qual cheguei uma hora depois e a tempo de fazer o check-in para o meu vôo. E aí papai, é emoção suficiente antes de uma viagem de 10 horas? Como diz um grande amigo,  TENSO, porem EMOCIONANTE!!!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

TENSO...


Esses dias fui surpreendido por um telefonema de uma oficial do Consulado Canadense, em São Paulo. Cerca de uma semana antes, eu havia enviado toda a documentação necessária para a solicitação do meu visto de estudante ( e diga-se de passagem, uma bela solicitação, completa e segura).

A oficial, que me limitarei a chamar de "minha senhora", com todo o respeito a seu marido e para preservar sua identidade (afinal, eu ainda NÃO tenho o visto em mãos, rs), começou uma conversa séria, porém num tom de confirmação de alguns dados apresentados por mim. Tentarei reproduzir aqui um resumo do diálogo:


Oficial: - Senhor David Caribé, eu sou do Consulado Canadense e estou responsável pela sua solicitação de visto de estudante. Por que exatamente o senhor está solicitando um visto de estudante?

David: - Bom, minha senhora, fui aceito pela Universidade de Western Ontario para fazer um mestrado em gestão desportiva, como apresentado na carta de aceitação entregue pela própria universidade. De acordo com eles, devido ao tempo de duração do programa, precisarei de um visto de estudante para esse período.

Oficial: - Claro. Qual a sua formação David?

David: - Sou formado em administração pela Universidade Federal da Bahia.

Oficial: - E o que é exatamente esse curso que o você pretende fazer?

David: - Não é exatamente um curso, é um programa de mestrado em gestão desportiva. Podemos dizer que seja uma especialização nessa minha área de interesse. Eles chamam de Master of Arts, para diferenciar do outro tipo de mestrado existente no Canada, que é o Master of Science ( explico melhor isso num próximo post).

Oficial: - David, você poderia me explicar do que se trata gestão desportiva? (Senti como tom de deboche).

David: - Gestão desportiva é basicamente a administração, a organização, enfim, uma série de atividades relacionadas à promoção e prática de atividades esportivas e físicas, como a gestão de um clube, de associações, confederações, entidades desportivas, de eventos, competições, ginásios, academias... nossa, tem tanta coisa que eu ficaria falando um bom tempo sobre isso.

Oficial: - Mas com base em que você pretende fazer isso? Você já trabalhou na área alguma vez? Você já esteve envolvido com isso antes? (interrompo ela nesse momento)

David: - Olha, minha senhora, eu sou um ex-atleta e apaixonado por esporte.. (ela me interrompe agora)

Oficial: - O que te qualifica a se considerar um ex-atleta? (Ela começa a falar de forma impaciente e aparentemente cética)

David: - Ex-atleta por ser um ex-nadador federado pela Confederação Baiana de Natação (na verdade é Confederação Baiana de Desportos Aquáticos, mas a mulher estava me deixando nervoso). Eu nadei campeonatos baianos, norte-nordeste... realmente pratiquei e competi na modalidade.

Oficial: - David, eu estou sendo bem franca com você. Eu recebi aqui a carta do seu irmão falando que vai te receber lá e que você viria para estudar. Mas o que o seu irmão faz no Canadá?

David: - O meu irmão é casado com uma canadense e possui residência permanente. Ele é fisioterapeuta e trabalha na área dele por lá.

Oficial: - E você não acha que esse mestrado tem muito mais a ver com ele do que com você? Você está me falando aí um monte de coisa, mas... (interrompi ela novamente)

David: - Minha senhora, eu não estou entendendo aonde você quer chegar com isso?

Oficial: - Eu é que não estou entendendo o que você quer com esse mestrado no Canadá!
(Pausa. Juro que não esperava uma ligação dessas, afinal toda a documentação tinha sido enviada corretamente e com bastante detalhes. Se tinha alguém que poderia questionar a minha capacidade e qualificação para o mestrado era o comitê de seleção da Western, junto com minha orientadora e não uma oficial do Consulado canadense. Fiquei realmente nervoso..)

David: - Veja bem, por que uma Universidade Canadense me chamaria pra um de seus programas se eu não tivesse capacidade ou afinidade com isso? Se eles me aceitaram é porque acreditam que eu possa fazer um bom trabalho por lá. (Confesso que gaguejei um pouco até me achar novamente) A área do meu irmão tem a ver sim com esse programa, mas a ele falta a gestão. No entanto eu tenho esse conhecimento e a mim falta apenas um foco na área esportiva.

Oficial: - Mas um Master of Arts... que relação tem com a sua formação?

David: - Poxa, total. A única diferença de um Master of Arts para um Master of Science é que o primeiro abrange disciplinas da área de Humanas, como gestão, ou seja, MINHA formação e o segundo se volta mais para as áreas das ciências. O que eu preciso e quero agora é dar um foco nisso. E estou realmente preocupado com o tempo que vai levar até esse visto sair. Como você pôde ver na carta da Universidade, eles exigem que eu esteja lá com toda minha documentação até 1º de Setembro. (Dei uma mudança no teor da conversa porque já não sabia mais o que falar para a mulher. Depois de ouvir o que ela tinha a dizer sobre o prazo do visto, exames médicos e todo o processo, finalizei.)

David: - Minha senhora, você ainda tem alguma dúvida sobre o programa, sobre o que eu vou fazer no Canadá ou qualquer outra coisa?

Oficial: - Não. Você me convenceu.

Após quase 30 minutos de conversa tensa, UFA.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Gestão Desportiva?

Alguns de vocês devem ter se perguntado esses dias, "mas David, que loucura é essa? Por que gestão desportiva? Alooou!!!". Por mais estranheza que essa escolha possa causar, ela não é simplesmente uma ideia nova e com data certa para ir embora. Ao contrário, a vontade de trabalhar aliando gestão e esporte mexe com minha cabeça há pelo menos 10 anos, quando "perdia" o meu intervalo no colégio desenhando numa folha de papel o meu tão sonhado "Centro Avançado de Treinamentos".

(Pausa para risada..)
...

(...eu sei que ainda tem gente rindo aí.. pronto.)

Mas é verdade, galera. Eu perdia horas desenhando cada parte desse Centro, definindo o tamanho das instalações, layout, modalidades atendidas, enfim, tudo que um lugar com tão estrondoso porte merecesse (sim, eu penso alto). Antes que vocês digam que eu me enganei novamente de profissão e que deveria ter seguido arquitetura ou engenharia, vou logo adiantando que o que mais me fascinava não era o fato de eu desenhar, mas sim como pensar estrategicamente políticas e diretrizes para que tal empreendimento desse certo e fosse não apenas sustentável, mas lucrativo (Poliana também gosta de viajar, comer bem, comprar roupinha legal... não é?)

O tempo passa, o tempo voa... a Poupança Bameirindos nem existe mais, mas a ideia persistiu e continuou firme e forte.. hora não tão firme.. hora não tão forte, confesso. Mas à medida que eu fugia dela, eu me perdia mais em tentativas que não refletiam muito aquilo que eu de fato queria. Ainda assim, acredito que todas as experiências foram importantes na construção do que sou hoje, do que penso sobre a vida e sobre o futuro.

Hoje eu me vejo interessado em ir cada vez mais fundo na área da Gestão Desportiva (em maiúsculo pela importância que quero empregar a ela) e tenho muitos motivos pessoais para isso. Esporte é uma grande paixão e está presente em minha vida desde criança, quando comecei a nadar por conta da asma. Esporte me deu confiança, força, motivação, disciplina e saúde durante esses anos. Eu fiz amigos e visitei lindos lugares por causa do esporte e eu realmente acredito no seu maravilhoso poder para mudar vidas, e por que não, até o mundo ( lembram da história do beija-flor de Betinho?).

Outro grande motivo é a recente inclinação do Brasil por desenvolvimento e inclusão social através do esporte. Após anos e anos de expectativa (afinal, o meu avô já escutava que o Brasil era o país do futuro) o futuro parece que, aos poucos, engrena uma segunda marcha. O Brasil será cede de dois dos maiores eventos esportivos do mundo nos próximos anos:  A Copa do Mundo da FIFA, em 2014 e os Jogos Olímpicos, em 2016 - um momento histórico não apenas para nós, brasileiros, mas para toda a América do Sul. Os jogos do Rio, por exemplo, pretendem ser os jogos da Celebração e da Transformação e eu gostaria muito de poder fazer parte disso e dar a minha contribuição.



Sei que muita gente está torcendo para que tudo dê errado para poder, gratificantemente, dizer "Eu disse". Eu, ao contrário, pretendo fazer a minha parte e, também gratificantemente, dizer "Eu fiz parte disso". Nossa.. o texto acabou tomando um rumo um pouco diferente do que eu queria. Muitas vezes isso é inevitável. Uma coisa é certa, por pior que seja a situação ou por mais incerta que seja a vida, quero continuar sendo do grupo dos que "metem a cara" e buscam uma mudança concreta.

Saudações tricolores (para fechar com chave de ouro, rs)!!!

PS- Depois escrevo um texto mais técnico sobre o tema ;)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Bem-vindos à toca

Fala pessoal!!!

Sejam bem-vindos ao blog "Além da toca do Coelho". O que vocês podem esperar a partir daqui é uma viagem a um mundo de novas descobertas, curiosidades, informação e certa dose de reflexão de uma mente disposta a romper com o pré-estabelecido e aberta à reformulação de conceitos e comportamentos.

Com certa experiência internacional (afinal passei um ano na Suíça através do Programa de Intercâmbio Jovem do Rotary Club, viagens pela Alemanha, Itália, Espanha, República Tcheca, Áustria, além dos Emirados Árabes, Austrália, Cingapura e Malásia) o fato de não poder compartilhar meus pensamentos com alguém me deixava bastante inquieto e, de certo modo, frustrado. Esse sentimento se repetia a cada nova viagem. As experiências fazem parte de nossas vidas, mas o tempo, muitas vezes, é capaz de apagar algumas lembranças. Sendo assim, resolvi fazer um blog no qual pudesse arquivar esses pensamentos e expor àqueles que ainda não puderam vivenciar tais momentos.

Agora estou de passagem marcada para o Canadá, onde ficarei por dois anos, a princípio. Fui aceito pela Universidade de Western Ontario, na cidade de London, para um programa de Mestrado em Gestão Desportiva. Por curiosidade, o Canadá era o meu "país das maravilhas" quando adolescente, porém ainda não o havia visitado, apesar de meu irmão morar lá por quase três anos.

A ideia de ir além da toca partiu da vontade de querer mostrar algo fora do usual num blog de viagem. Ao menos é essa a minha intenção atual. É claro que muitas vezes vocês verão textos puramente informativos, outros já um tanto simbólicos. Não estranhem, porém, quando encontrarem aqui alguns textos despretensiosos, afinal a minha intenção é deixar um bom grau de flexibilidade e liberdade nos temas e na escrita, ao sabor do meu humor e de cada momento. o que posso dizer é que esse será um aprendizado compartilhado com todos vocês.

Permitam-se serem levados pelo coelho branco e estejam dispostos a enxergarem além da toca!

Grande abraço.